T&D360 News - Ed 6
Just do it
A última moda parece ser emancipar-se do fardo que é pensar.

Gustavo Brito
·
14 de jul. de 2025

INSIGHTS
"As pessoas geralmente não gostam de pensar muito. Uma análise recente de 170 estudos, feitos em 29 países sobre 358 tipos diferentes de tarefas - desde aprender como se usa uma nova tecnologia até praticar movimentos do golfe - descobriu que em todos os casos, pessoas sentiram maiores frustrações e estresse quando tiveram que usar mais o cérebro. Quando encontram uma alternativa, ratos de laboratório e seres humanos frequentemente escolhem o caminho do menor esforço".

Illustration by GraphicaArtis/Getty Images
O trecho acima é parte do artigo da Celia Ford na Vox e um pedaço de informação interessante. De certa forma, todos nós sabemos que pensar consome energia (ou açúcares, como gosta de dizer minha querida amiga Marina von Zuben de Arruda Camargo) e energia é o que não nos tem sobrado, a maior parte entre nós anda empenhando açúcares em distrações da telinha (tiktoks, reels, stories, feeds).
Entretanto, o que me chama atenção de verdade é que não nos demos conta de que pensar é parte de um círculo virtuoso e não pensar é parte de um círculo vicioso. Quanto mais se pensa, mais acostumado a pensar o seu cérebro estará, o que significa que ele precisará de menos energia para a tarefa cognitiva. O mesmo é verdade para o contrário: quanto menos se pratica o pensar, menos acostumado fica o seu cérebro e mais açúcar ele vai pedir por uma tarefa cognitiva.
Em tempos de terceirização do pensamento para inteligências artificiais, estamos saltitando, alegres, felizes e ingênuos na direção de um círculo vicioso? Ao que tudo indica sim.
TRENDS
É provável que você já tenho visto a informação que vou colocar aqui embaixo em algum outro lugar, mas penso que valha a pena ver de novo. Olha aí:

Não faço ideia do que te chama atenção nessa análise, mas te digo o que me espanta: a evidência clara de que estamos, mesmo, caminhando na direção do círculo vicioso do não pensar. É o pico do pico do pico do pico da cultura do ASK-FIRST em detrimento do THINK-FIRST. Tudo em nome da maximização da velocidade e do sonho da superprodutividade. Me pergunto, no fim do dia, se isso é mesmo sonho...ou será pesadelo?
STORYTELLERS
A essa altura você deve estar pensando que sou um "tirano do pensar", mas nada poderia se encontrar mais longe da verdade. Vejo muito valor também no não pensar. Quer uma prova? Sou fã do Ryunosuke Koike, um ex-monge budista da Escola Jodo Shinshu, atualmente mestre do Tsukuyomi Hall, anteriormente conhecido como Templo Tsukuyomi, na Província de Kanagawa. Koike é internacionalmente reconhecido por seus livros acessíveis, porém abrangentes, sobre Zen e Budismo, em especial esse aqui de baixo:
penguin.co.uk
The Practice of Not Thinking
Vale muito a leitura. Vale muito a reflexão. E vale também não pensar, de vez em quando.
AI & TECH
Mudando de assunto, essa semana tropecei no site do World Economic Forum e deparei com uma interessantíssima tecnologia emergente em 2025: Collaborative Sensing (algo como Sensoriamente colaborativo, em bom português).

O conceito de Collaborative Sensing refere-se à capacidade de múltiplos agentes autônomos, como drones, veículos e robôs, de perceberem seus ambientes e trocarem informações em tempo real para tomar decisões coordenadas. Essa coordenação é crucial em ambientes dinâmicos e realçaria a eficiência e eficácia dos sistemas autônomos quando trabalhados em conjunto. Imagina o quanto isso pode ser interessante para a educação?
Q&A
A Juliana Beretta me mandou essa pergunta:
"Pra quem escolheu não estar no CBTD, cansada de eventos cheios de influencers e soluções prontas, conta mais sobre o conteúdo da sua palestra sobre times de excelência em T&D. Fui tua aluna no Maestra, e acho incrível a sua visão e prática sobre esse tema".
Querida Ju, antes de qualquer coisa, obrigado pelo carinho viu? Olha, levei ao CBTD essa palestra sobre times de excelência em T&D com um propósito específico: reforçar que educação é ciência e precisa de times com conhecimento profundo nas 5 operações que fazem qualquer área de educação corporativa rodar (gerir, medir, atender, desenhar, comunicar). Times de T&D enfrentam o que chamo de tridente de demônio (desdém, desengajamento e desconexão) e para vencer esse trio infernal é preciso um esforço sistêmico somado a um time que esteja alocando seu tempo naquilo que sabe fazer de melhor. Entretanto, o normal é ver times de T&D feitos de generalistas que fazem de tudo um pouco. Esse modelo não funciona mais. É preciso uma brigada de aprendizagem bem montada sabe?
Se quiser, me escreve por aqui no privado, no linkedin. Mando os slides da palestra ;)
Até semana que vem!
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