T&D360 News - Ed 24
Queijo suíço
Anda muito furada a relação entre o T&D e as estratégias de negócio.

Gustavo Brito
·
17 de nov. de 2025

Tem elefante na sala e a gente precisa falar da profunda desconexão entre as estratégias de treinamento e desenvolvimento e as estratégias de negócio nas empresas. Isso não é apenas um probleminha operacional, uma falha estrutural que está sabotando o potencial transformador da educação corporativa.
Essa desconexão aparece todos os dias nos índices de no-show que chegam a 45% em treinamentos abertos e 12% até nos treinamentos obrigatórios. Quando as pessoas "se inscrevem como se fosse um favor" e simplesmente não aparecem, elas estão mandando um recado claro: não veem valor real nas oportunidades de aprendizagem oferecidas.
O problema é estrutural. Enquanto as áreas de negócio vivem sob pressão constante por resultados mensuráveis e impacto imediato, muitas iniciativas de T&D flutuam numa bolha de boas intenções, desconectadas das dores reais e dos desafios estratégicos da organização. Essa assistematicidade educacional cria um ciclo perverso: investimentos significativos geram retornos questionáveis, o que alimenta o desdém da liderança, com apenas 14% dos profissionais de T&D sendo vistos como parceiros estratégicos.
A consequência? Devastadora. Sem conexão clara com as prioridades estratégicas, a educação corporativa vira um subsistema periférico, uma obrigação burocrática, quando deveria ser uma alavanca fundamental para a transformação organizacional. O potencial de criar ecossistemas de aprendizagem que impulsionem inovação, engajamento e resultados fica tragicamente inexplorado.
Para quebrar esse ciclo, precisamos de uma mudança radical. Profissionais de T&D precisam sair do papel de meros fornecedores de treinamentos e virar parceiros estratégicos de verdade, capazes de traduzir desafios de negócio em soluções educacionais que realmente impactem. Isso exige não só competências técnicas em design de aprendizagem, mas uma compreensão profunda do negócio, fluência na linguagem da alta liderança e capacidade de mostrar valor com métricas que realmente importam.
A educação corporativa do futuro não será avaliada por horas treinadas ou número de cursos, mas por sua capacidade de impactar diretamente os indicadores que realmente importam para o negócio. Sem essa conexão vital, departamentos de T&D continuarão lutando por relevância num mundo onde aprender continuamente não é mais diferencial, é questão de sobrevivência.
A hora de transformar é agora. A questão não é se podemos nos dar ao luxo de reinventar a educação corporativa, mas se podemos arcar com o custo de não fazê-lo. Ou elevamos o status da educação corporativa de subsistema a ecossistema estratégico, ou assistiremos à sua gradual irrelevância num mundo onde a capacidade de aprender e se adaptar rapidamente define a linha entre sucesso e fracasso.
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