T&D360 News - Ed 20
Scientia potentia est
Por trás de uma grande educação há sempre uma grande ontologia.

Gustavo Brito
·
20 de out. de 2025

Vem comigo no raciocínio:
A distância entre uma pessoa que deseja aprender algo e a coisa que ela deseja aprender não é uma linha reta livre de obstáculos. Entre pessoa e coisa há um conjunto considerável de complexidades que influenciam diretamente no tempo que a pessoa levará (ou mesmo se a pessoa conseguirá) aprender o que ela queria. Algumas dessas complexidades são:
- Contexto sócio-econômico e político, contexto emocional, de autonomia e segurança psicológica, tecnologias, métodos, técnicas, modelos e ferramentas; pessoas, tempo, recursos materiais, recursos cognitivos, curadoria e gestão de conhecimento, propósito, motivação.
A maior parte dessas complexidades não estão sob o controle de quem é profissional de educação corporativa. Contudo, as que estão são suficientemente importantes para minimizar os impactos das que não estão.
Tecnologia, por exemplo, é uma complexidade que está, em maior ou menor medida, sob controle do time que gere a educação corporativa de uma empresa. A tecnologia é um mediador entre a pessoa que quer aprender e a coisa a ser aprendida. Só que a depender da tecnologia que você escolheu, ela pode ser mais obstáculo do que alavanca.
A mesma coisa vale para curadoria e gestão de conhecimento. Essa dupla é tão, mas tão pouco utilizada na educação corporativa que eu ousaria dizer que virou um obstáculo permanente no trajeto entre pessoa desejosa de aprender e coisa a ser aprendida. Trata-se curadoria como a mera ação de selecionar conteúdos audiovisuais e textuais para usar em plataformas, quando na verdade curadoria e gestão do conhecimento têm sua real potência numa "sub-dupla" que lhes dá sentido: TAXONOMIA & ONTOLOGIA.
Enquanto as taxonomias são voltadas para a classificação a partir de hierarquias (tamanho, importância, filiação e demais variáveis dessa natureza), as ontologias vão além, pois suas taxonomias são enriquecidas de contexto, de relações, de consensos e dissensos.

A famosa Taxonomia de Bloom é um ótimo exemplo de taxonomia simples, em que há uma hierarquização das capacidades, sendo relembrar a menos complexa e criar a mais complexa.

Uma ontologia como a da imagem acima é bastante mais rica, dado que cada item ali exposto está em relação direta ou indireta. Desta forma, o conhecimento não fica restrito à um grupo específico de categorização. Não está em caixinhas. Ele tem seu sentido definido pelo todo.
Daí você deve estar se perguntando pq diabos isso importa para a educação corporativa?
Ontologias fornecem uma estrutura sistemática para organizar o conhecimento, definindo claramente conceitos, categorias e relações dentro de um domínio específico. Isso facilita a navegação e a busca de informações relevantes pelos colaboradores, otimizando o processo de aprendizagem.
Em ambientes digitais, o conhecimento pode estar disperso em diferentes formatos e fontes. Ontologias permitem integrar esses dados heterogêneos, criando uma visão unificada e coerente que ajuda a evitar redundâncias e inconsistências. Ao mapear relações entre diferentes conceitos, as ontologias ajudam os usuários a descobrir conexões e conhecimentos que talvez não fossem evidentes. Isso é crucial para uma aprendizagem mais profunda e para a inovação dentro da empresa.
Ao estruturar o conhecimento de forma clara e acessível, as ontologias reduzem o tempo necessário para encontrar informações relevantes. Isso economiza recursos e aumenta a produtividade, pois os colaboradores podem se concentrar mais em aplicar o conhecimento do que em procurá-lo.
Ou seja:
A ontologia pode ser sua maior aliada na batalha contra o tempo (nosso maior adversário nas empresas). Sem ela, o que você oferece às pessoas que desejam aprender um obstáculo quase intransponível, um emaranhado amorfo, sem sentido.
É o que me parecem ser as plataformas de LMS e LXPs que andam por aí nas organizações: um emaranhado de caixinhas organizadas em carrosséis, sem conexão, sem taxonomia, sem ontologia, sem curadoria ou gestão de conhecimento. Não há obstáculo pior do que esse no caminho entre suas pessoas e as coisas que elas precisam aprender.
Taxonomia e Ontologia não são luxos, são o mínimo. Sem eles, você mais afasta do que aproxima. Mais fracassa do que vence. Mais atrapalha do que ajuda.
Comece do simples, estruturando as taxonomias do seu portfólio. Depois as enriqueça com relações, contextos, detalhes. De pouco a pouco, você verá sua gestão de conhecimento ganhar tamanho e o quanto isso irá facilitar a vida dos seus aprendizes.
Dá trabalho? Dá. Mas você não precisa fazer isso sozinha(o).
Qualquer coisa estamos aqui ok?
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