T&D360 Live - Ep 12

Pedagogia da Cooperação e o projeto Cooper-Cognita

Com Juliane Medeiros

Cognita LL

·

30 de set. de 2025

A aprendizagem que nasce do “nós”

Durante muito tempo, a educação corporativa foi desenhada a partir de uma imagem silenciosa: alguém sabe, alguém não sabe; alguém transmite, alguém recebe; alguém ensina, alguém aprende.

Essa imagem ainda está presente em muitas organizações. Está nas plataformas cheias de conteúdos isolados, nos treinamentos que pressupõem aprendizes passivos, nos programas que tratam desenvolvimento como entrega de informação e nos modelos que separam conhecimento, trabalho, cultura e relação humana como se fossem peças independentes.

Mas há outro caminho.

Um caminho que parte de uma constatação simples e radical: ninguém aprende sozinho.

Aprendemos com os outros, contra os outros, apesar dos outros e por causa dos outros. Aprendemos quando escutamos, quando discordamos, quando explicamos, quando perguntamos, quando erramos diante de alguém, quando recebemos apoio, quando construímos uma resposta coletiva para um problema que nenhum indivíduo resolveria isoladamente.

É nesse território que a pedagogia da cooperação ganha força. Não como moda educacional, nem como técnica simpática de colaboração. Mas como uma forma de compreender a aprendizagem, a organização e a vida em sociedade.

Cooperativismo: uma utopia que funciona

O cooperativismo carrega uma provocação poderosa para o mundo corporativo: é possível organizar trabalho, valor econômico e impacto social a partir de outra lógica.

Em vez de concentrar resultado em poucos acionistas, o modelo cooperativista propõe distribuição, participação, pertencimento e corresponsabilidade. Em vez de tratar pessoas apenas como consumidores, funcionários ou recursos, reconhece nelas sujeitos de vínculo, decisão e comunidade.

A Rede Cooper, cooperativa de consumo em Santa Catarina, é um exemplo concreto dessa lógica. Com dezenas de unidades entre supermercados, atacarejos, farmácias, centro de distribuição, padaria central, entreposto de carnes e área administrativa, a organização impacta milhares de colaboradores e centenas de milhares de cooperados.

Mas o ponto mais interessante não está apenas no tamanho da operação. Está no princípio que orienta sua forma de existir: crescer para ampliar o alcance do cooperativismo, gerar sustentabilidade para o negócio e distribuir valor para as comunidades onde atua.

Esse é um modo de fazer empresa que não separa resultado de relação. E isso muda profundamente a forma de pensar educação.

Educação como princípio cooperativista

Desde suas origens históricas, o cooperativismo atribui papel central à educação. Não como atividade complementar, mas como parte da própria sustentação do modelo.

Uma cooperativa depende de pessoas que compreendam seu funcionamento, seus princípios, seus direitos, seus deveres e sua participação no todo. Sem educação, o cooperativismo corre o risco de virar apenas uma estrutura jurídica. Com educação, torna-se cultura viva.

Na Rede Cooper, essa visão aparece na Unicoper, universidade corporativa que reúne esforços de desenvolvimento tanto para colaboradores quanto para cooperados. De um lado, há a educação corporativa voltada aos profissionais da organização. De outro, há a organização do quadro social, com programas de formação e desenvolvimento para cooperados.

Essa dupla atuação revela algo importante: a aprendizagem não está restrita aos muros internos da empresa. Ela se estende para a comunidade, para os cooperados, para as escolas, para os núcleos representativos e para os territórios onde a cooperativa atua.

Educação, nesse contexto, é infraestrutura de participação.

O desafio de educar em escala sem perder proximidade

A Rede Cooper vive um desafio que muitas organizações conhecem bem, mas que ganha contornos especiais no cooperativismo: como crescer sem perder cultura? Como escalar aprendizagem sem perder conexão? Como usar tecnologia sem reduzir a experiência humana? Como desenvolver pessoas em diferentes unidades, funções, cidades e realidades mantendo coerência com o propósito?

A organização reúne públicos muito distintos: colaboradores da operação, lideranças, profissionais administrativos, cooperados, conselhos, núcleos, escolas e comunidades. Cada grupo tem necessidades, repertórios, tempos e formas de relação diferentes.

Isso exige mais do que cursos. Exige arquitetura.

  • Arquitetura de aprendizagem para organizar prioridades.

  • Arquitetura tecnológica para ampliar alcance.

  • Arquitetura cultural para preservar identidade.

  • Arquitetura relacional para manter o sentido cooperativo.

É aqui que surge um dos grandes desafios do projeto Cooper-Cognita: apoiar a evolução da Unicoper para que ela seja mais ágil, mais estratégica e mais preparada para o futuro, sem romper com aquilo que faz da Rede Cooper o que ela é.

A pergunta não é apenas “como treinar mais pessoas?”. A pergunta é “como sustentar uma cultura de cooperação em expansão?”.

Cooper-Cognita: tecnologia, método e cultura caminhando juntos

O projeto Cooper-Cognita nasce desse encontro entre uma organização cooperativista em expansão e uma abordagem educacional que entende aprendizagem como fenômeno sistêmico.

Não se trata apenas de implantar uma plataforma ou reorganizar conteúdos. Trata-se de olhar para a Unicoper como um ecossistema de aprendizagem: seus públicos, suas práticas, seus desafios, suas culturas, suas dores, suas tecnologias e seus futuros possíveis.

Esse tipo de projeto exige escuta. E a escuta não é um detalhe metodológico. É um princípio ético e pedagógico.

Quando uma universidade corporativa quer se reposicionar, ela precisa compreender onde está, o que já funciona, quais são suas potências, quais são seus gargalos e que tipo de futuro deseja construir. Precisa envolver pessoas. Precisa preservar identidade. Precisa reconhecer que transformação educacional não acontece apesar da cultura, mas com a cultura.

No caso da Rede Cooper, isso significa construir a partir do espírito cooperativista. Não impor uma solução externa, mas co-desenhar caminhos que respeitem o modo de ser da organização.

Pedagogia da cooperação: mais do que uma metodologia

A pedagogia da cooperação não deve ser entendida apenas como um conjunto de dinâmicas colaborativas. Seu valor está em algo mais profundo: ela propõe ambientes nos quais as pessoas possam se reconhecer, se escutar, se regular, dialogar, negociar, compartilhar responsabilidades e construir conhecimento juntas.

Isso vale para crianças, jovens, adultos, lideranças, equipes operacionais, cooperados e comunidades.

Quando falamos em pedagogia da cooperação, falamos de uma aprendizagem que exige presença do outro. Não o outro como obstáculo, mas como condição de ampliação. O outro me mostra o que não vejo. Questiona o que naturalizei. Completa o que me falta. Desafia minhas certezas. Sustenta minha evolução.

Essa perspectiva conversa diretamente com muitas das competências mais valorizadas hoje: colaboração, escuta, flexibilidade, pensamento crítico, comunicação, empatia, corresponsabilidade, resolução de problemas complexos e convivência.

Curiosamente, muitas organizações querem desenvolver essas competências, mas continuam usando modelos educacionais individualizados, competitivos e centrados em transmissão. Querem colaboração como resultado, mas desenham experiências pouco colaborativas como caminho.

Há aí uma incoerência.

Não se forma cooperação apenas falando sobre cooperação. Forma-se cooperação criando situações em que cooperar seja necessário, vivido e refletido.

Cooperação não elimina autonomia. Ela qualifica a autonomia.

Um dos debates importantes da live foi a tensão entre aprendizagem autodirigida e aprendizagem coletiva.

Hoje, muitas organizações falam em protagonismo, autorresponsabilidade e autonomia. Isso é importante. As pessoas precisam assumir papel ativo em seu desenvolvimento. Mas há uma armadilha quando autonomia vira isolamento.

Aprender sozinho pode ser útil em muitos momentos. Mas a autodireção radical — aquela em que cada pessoa define seu caminho, percorre sua trilha e aplica sozinha o que aprendeu — pode empobrecer a aprendizagem quando se torna regra absoluta.

Personalização não precisa significar individualização.

É possível personalizar a aprendizagem e, ao mesmo tempo, aprender junto. É possível respeitar trajetórias individuais e criar experiências coletivas. É possível reconhecer necessidades específicas sem abrir mão da força do grupo.

Na verdade, talvez seja justamente esse o desafio contemporâneo: combinar autonomia e cooperação.

A pessoa precisa se responsabilizar pelo próprio desenvolvimento. Mas a organização precisa criar ambientes onde esse desenvolvimento encontre diálogo, apoio, prática, troca e sentido coletivo.

O espírito cooperativista transcendeu as cooperativas

Uma das provocações mais interessantes da conversa foi a ideia de que o cooperativismo, enquanto espírito, talvez tenha ultrapassado os limites do modelo econômico cooperativo.

Em diferentes tipos de organização, vemos crescer a consciência de que ninguém resolve problemas complexos sozinho. Empresas falam em squads, times autônomos, colaboração transversal, comunidades de prática, redes internas, escuta ativa, inteligência coletiva e liderança distribuída.

Mesmo organizações que não são cooperativas começam a reconhecer, às vezes por necessidade, que o velho modelo de comando e controle já não responde à complexidade atual.

Isso não significa que todas pratiquem cooperação de fato. Muitas apenas adotam a linguagem. Mas o movimento é relevante: o vocabulário da cooperação entrou no centro das discussões sobre futuro do trabalho.

A pergunta agora é se as organizações terão coragem de transformar discurso em prática.

Porque cooperação exige mais do que ferramentas colaborativas. Exige confiança, clareza, responsabilidade, abertura, escuta, gestão de conflitos, contratos sociais e maturidade cultural.

Aprender a cooperar é aprender a conviver

Cooperação não é um comportamento espontâneo em qualquer contexto. Somos seres sociais, mas também fomos educados em ambientes competitivos, hierárquicos e comparativos.

Desde cedo, muitas experiências escolares e profissionais nos ensinam a disputar, vencer, destacar-se, responder certo, evitar o erro, proteger reputação e competir por reconhecimento. Depois, quando chegamos às organizações, somos convidados a colaborar como se isso fosse óbvio.

Não é.

Cooperar precisa ser aprendido. E aprender a cooperar envolve dimensões emocionais, cognitivas, sociais e culturais.

É preciso aprender a escutar sem apenas esperar a vez de falar.
Aprender a discordar sem destruir o vínculo.
Aprender a reconhecer valor no outro.
Aprender a lidar com medo de exposição.
Aprender a pedir ajuda.
Aprender a oferecer ajuda sem arrogância.
Aprender a decidir junto.
Aprender a assumir responsabilidade coletiva.

Tudo isso é aprendizagem.

E talvez seja uma das aprendizagens mais urgentes do nosso tempo.

O medo como obstáculo à cooperação

Um dos maiores bloqueios à cooperação é o medo.

Medo de se expor. Medo de parecer incompetente. Medo do ridículo. Medo de perder controle. Medo de confiar. Medo de depender de outras pessoas. Medo de que o outro não faça sua parte. Medo de que a vulnerabilidade seja usada contra nós.

Por isso, ambientes cooperativos exigem segurança psicológica. Mas não a segurança psicológica transformada em slogan. Segurança real: aquela que permite perguntar, discordar, testar, admitir limites e aprender com o erro sem ser destruído socialmente.

A cooperação depende de um contrato social, escrito ou não, que diga: aqui podemos construir juntos; aqui o outro não é ameaça automática; aqui a diferença pode enriquecer; aqui a responsabilidade é compartilhada.

Sem esse contrato, colaboração vira teatro. As pessoas participam, mas se protegem. Falam, mas não se expõem. Concordam, mas não se comprometem.

A pedagogia da cooperação precisa cuidar desse terreno.

O papel das lideranças

Nenhuma cultura cooperativa se sustenta apenas por iniciativas de T&D.

A liderança tem papel decisivo. São líderes que abrem ou fecham espaço para diálogo. Que reconhecem ou punem contribuições. Que compartilham ou concentram decisões. Que acolhem ou ridicularizam dúvidas. Que promovem ou bloqueiam autonomia. Que transformam cooperação em prática ou em discurso.

Em organizações cooperativistas, esse desafio é ainda mais importante, porque a cultura esperada precisa estar refletida no modo de liderar.

Não basta a organização ter propósito cooperativo se a experiência cotidiana das pessoas for marcada por comando, medo ou individualismo. O modelo precisa aparecer nas relações.

A liderança, nesse sentido, não é apenas gestora de resultados. É guardiã de um modo de convivência.

A aprendizagem no fluxo da comunidade

Um dos exemplos trazidos na live foi o Cooper Pratique, programa que oferece formações para cooperados em áreas como gastronomia, sustentabilidade e artesanato. Mais do que capacitações pontuais, essas iniciativas podem representar oportunidades de renda, autonomia e fortalecimento comunitário.

Esse tipo de programa mostra como a educação, em uma cooperativa, pode se aproximar da vida concreta das pessoas. Não é apenas desenvolvimento para o cargo. É desenvolvimento para a vida, para a comunidade, para a participação econômica e social.

Há também programas com conselhos, núcleos femininos, núcleos cooperativos e ações em escolas voltadas à sustentabilidade e ao cooperativismo.

Tudo isso amplia a ideia de universidade corporativa.

A Unicoper não é apenas um centro de treinamento interno. É um organismo educacional que ajuda a conectar colaboradores, cooperados, comunidades e futuro.

Tecnologia sem perda de humanidade

Um dos grandes desafios atuais da Unicoper — e de muitas universidades corporativas — é usar tecnologia para ampliar alcance sem perder a proximidade.

Esse é um dilema central da educação contemporânea.

A tecnologia pode escalar. Pode tornar conteúdos acessíveis. Pode organizar trilhas. Pode permitir acompanhamento. Pode apoiar diagnósticos. Pode reduzir barreiras geográficas. Pode gerar dados para tomada de decisão.

Mas a tecnologia também pode empobrecer a experiência quando substitui relação por consumo, diálogo por clique, prática por vídeo e desenvolvimento por conclusão de curso.

No contexto cooperativista, esse cuidado é ainda mais importante. A tecnologia precisa servir à cooperação, não substituí-la.

Isso significa desenhar experiências digitais que preservem troca, participação, contexto, aplicação e pertencimento. Significa usar plataformas não como depósitos de conteúdo, mas como ambientes que ajudam pessoas a se desenvolverem e se conectarem melhor.

A pergunta não é “como digitalizar tudo?”. A pergunta é “como usar o digital para fortalecer o humano?”.

Educação corporativa como ecossistema

O caso da Rede Cooper evidencia uma ideia central para o futuro de T&D: educação corporativa não pode ser vista como área isolada.

Ela depende das lideranças, dos multiplicadores, dos times de RH, da comunicação, da tecnologia, das unidades, dos cooperados, dos conselhos, dos núcleos, da cultura e da estratégia da organização.

Uma equipe pequena pode ter enorme impacto quando opera em rede. Mas, para isso, precisa criar sistemas, formar multiplicadores, priorizar esforços, usar tecnologia com inteligência e construir alianças.

Educação, nesse sentido, é ecossistema.

E, em um ecossistema cooperativo, o conhecimento não pertence a uma área. Ele circula. É construído. É compartilhado. É aplicado. É devolvido à comunidade em forma de prática, melhoria e desenvolvimento.

Utopia como método de gestão

A palavra utopia costuma ser tratada como ingenuidade. Mas sem utopia, talvez não exista transformação.

Toda organização que tenta construir algo diferente precisa acreditar que outro modo de operar é possível. O cooperativismo é, em certa medida, uma utopia realizada: uma prova de que é possível organizar valor econômico com base em participação, distribuição, comunidade e propósito.

Isso não significa romantizar. Cooperativas também enfrentam tensões, erros, desafios de escala, problemas operacionais, conflitos e contradições. Mas carregam uma bússola diferente.

E bússolas importam.

Em um mundo organizacional frequentemente capturado por velocidade, competição, individualismo e resultados de curto prazo, a pedagogia da cooperação recoloca uma pergunta essencial: que tipo de sociedade estamos ensaiando dentro das nossas organizações?

Toda empresa ensaia um modo de convivência. Pode ensaiar medo, competição e controle. Ou pode ensaiar escuta, corresponsabilidade e cooperação.

A escolha não é neutra.

Todo mundo tem valor

Uma das afirmações mais fortes da conversa foi também uma das mais simples: todo mundo tem valor.

Essa frase, quando levada a sério, muda a forma de liderar, educar e organizar o trabalho.

Se todo mundo tem valor, então a aprendizagem não pode ser desenhada apenas para alguns.
Se todo mundo tem valor, então a escuta não pode ser privilégio hierárquico.
Se todo mundo tem valor, então a cooperação não é gentileza, mas estratégia.
Se todo mundo tem valor, então desenvolver pessoas é desenvolver a própria organização.
Se todo mundo tem valor, então educação corporativa precisa olhar para além da performance imediata e considerar evolução humana.

Esse princípio parece óbvio. Mas muitas culturas organizacionais ainda funcionam como se não acreditassem nele.

A pedagogia da cooperação nos lembra que aprender é reconhecer valor no outro — e permitir que o outro também reconheça valor em si.

Cooperação como futuro da aprendizagem

O futuro da aprendizagem corporativa não será apenas mais tecnológico. Será mais relacional, mais contextual e mais cooperativo — ou será insuficiente.

A complexidade do mundo atual exige inteligência coletiva. Exige times que aprendem juntos. Exige lideranças que escutam. Exige organizações que saibam criar contratos sociais mais saudáveis. Exige ambientes onde as pessoas possam contribuir, discordar, experimentar e construir.

A tecnologia será parte disso. Mas não será o centro.

O centro continuará sendo a capacidade humana de aprender em relação.

A Rede Cooper e a Unicoper mostram que é possível fazer educação corporativa a partir de outra base: propósito, comunidade, participação, cooperação e impacto social. O projeto Cooper-Cognita nasce justamente para apoiar essa evolução, conectando método, tecnologia e cultura sem perder a essência do modelo cooperativo.

Porque, no fim, a pergunta mais importante talvez não seja “como ensinamos mais rápido?”, mas “como aprendemos melhor juntos?”.

E a resposta, ao que tudo indica, passa por uma palavra antiga, mas cada vez mais necessária: cooperação.

———

Este artigo foi gerado a partir da conversa entre Gustavo Brito, Daniel Luzzi e Juliane Medeiros, na live Cognita T&D360 Live - Ep 12: Pedagogia da Cooperação e o projeto Cooper-Cognita. em 30 de set. de 2025.

Confira o papo na íntegra:

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Cognita T&D360 Live - Ep12: Pedagogia da Cooperação e o projeto Cooper-Cognita


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